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Testemunhos
Cadastro das Crianças – Parte II

Cadastro das Crianças – Parte II

"É Natal cada vez que você sorri e estende a mão para seu irmão"
Santa Tereza de Calcutá

Encontramos muitas crianças órfãs em que os pais morreram ou, na maioria dos casos, simplesmente as abandonaram e que estão sendo cuidadas pela avó ou algum tio caridoso. Em uma visita encontramos um garoto cujo pai é alcoólatra – outro grande sério problema por aqui – e sua mãe o deixou com a avó e nunca mais voltou. A avó partilhou conosco que muitas vezes ouvira seu neto pedir para ir à escola, mas ela não tinha recursos. Ao nos contar isso, começou a chorar, pois alguma ajuda tinha finalmente chegado para ela.

Outra mãe, 26 anos de idade, estava com quatro crianças pequenas para cuidar sozinha. Seu esposo estava na prisão e ela trabalha todos os dias arando a terra para os outros, recebendo um valor insignificante diariamente que usa para pagar o que o marido roubou na vila de outra pessoa. Casara-se aos 16 anos de idade. Alguém nos testemunhou que isto é bastante comum entre as adolescentes, pois não tem muitas perspectivas de vida nestas vilas pobres.

Em outra casa o pai estava visivelmente bêbado, e não sabia nem nos dizer o nome dos filhos. E o problema não era só o álcool: muito comum os homens terem por aqui mais de uma mulher. Alguns mantem a situação tendo mais de uma mulher como esposa, outros a mantem até certa altura e depois abandonam a mulher mais velha com os filhos e unem-se a mais jovem. Temos então muitas crianças, com muitos irmãos de mães diferentes. Na maioria dos lares visitados não encontramos qualquer responsabilidade paterna do progenitor.

Entre as 50 crianças cadastradas, para melhor compreensão, algumas estatísticas:
• 70% são meninas e 30% meninos: a dura realidade para as meninas, que são preteridas aos meninos quando a família tem a possibilidade de enviar alguém à escola.
• 56% são protestantes e 44% são católicas: confirma-nos ainda mais a presença da Igreja Católica nos trabalhos sociais. Aqui é comum que junto à paróquia tenha uma escola administrada pela mesma.
• 78% estão entre 3 a 9 anos: idade da iniciação escolar aqui em Uganda. Muitos já estão tardios, passam dos 40%.
• 80% nunca foram à escola: os outros começaram, mas precisaram parar por não terem condições.

Podíamos, a partir do cadastro, ter outras informações relevantes, como o número de crianças órfãs e as que estão acometidas pelo HIV. Porém estas são informações que teremos mais cuidado para divulgá-las. Tudo foi devidamente autorizado pelos seus pais e/ou responsáveis. O projeto quer, posteriormente, dar assistência física e psicológica a estas crianças com profissionais adequados.

Nelson Mandela, um grande líder mundial, especialmente para os africanos, disse certa vez que nunca se deve trair promessas feitas às crianças e que a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo... Sentíamos que estávamos apenas começando!

 
 
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